A locomotiva


Era uma enorme máquina, uma locomotiva com vagões coloridos e alegres, alguns tinham nomes que eu não conseguia identificar. Quando ouvia  barulho dos trilhos eu me ajeitava na portinhola para espiar. Daí eu corria, corria e nunca a alcançava. Era tão frustrante! Mesmo assim eu não perdia a esperança “um dia eu vou entrar neste trem e ver o que tem dentro dele!”.

Finalmente aconteceu e foi no dia que o Mimi sumiu. Mimi era meu gatinho amarelo de rabo preto, ele era meu melhor amigo e eu chorei muito. Então o trem passou e para a minha surpresa esperou que eu entrasse.

Lá dentro tinha muitas crianças e adultos engraçados, a moça que servia os bolinhos era amarela como o Mimi e seus olhos esbugalhados tinham formato de coração. Ela chegou perto de mim e com muita gentileza me disse que o maquinista queria me ver, em seguida me conduziu até a cabine onde ele estava e deu meia volta. Era um homem rechonchudo com cabeça de abóbora e me perguntou rapidamente: Pois bem meu rapaz, para onde vamos hoje?

Eu não sabia o que responder, não sabia mesmo. Após pensar um pouco, eu formulei a única pergunta que pude: Por que você nunca me esperou? Como se eu tivesse perguntado a coisa mais boba do mundo ele respondeu risonho: Ora, porque você nunca precisou. O homem com cabeça de abóbora me explicou que o trem me levaria para onde eu quisesse, bastava que eu soubesse onde era. Esperou um pouco me examinando e perguntou novamente: Diga-me rapaz, para onde vamos?

A moça amarela de coraçõezinhos nos olhos voltou e eu lembrei do Mimi. Meu peito ficou apertadinho, então logo eu soube o que fazer e respondi ao maquinista: Muito obrigado Senhor Cabeça de Abóbora! Mas hoje eu só preciso ficar e esperar. Ele deu um grande sorriso e abriu a porta para que eu descesse. Nos despedimos e o trem se foi.

Voltei para a minha portinhola e fiquei olhando até que a locomotiva sumisse no horizonte. Quando o sol já estava se pondo, escutei um longo miado! Meu melhor amigo voltou! Brincamos por muito tempo… No outro dia a locomotiva passou rapidamente, mas eu não corri, apenas espiei com o Mimi e algo diferente aconteceu, eu consegui ler o nome de um vagão colorido! Estava escrito bem grande: Esperança. Ah! Isso eu tenho bastante!

Foi assim que entendi que a locomotiva continuaria passando todos os dias em meu portão, mas eu só correria para alcança-la quando precisasse encontrar algo que eu ainda não tinha.

FIM.

Autora: Débora Araújo

A leitura ajuda a fortalecer as pontes entre você e seu pequeno

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As janelas que eu abro

Comentários

  1. Cristiane 10 de agosto de 2017 at 13:23

    Que delícia de história!
    Uma forma delicada de ensinar aos pequenos a paciência e o saber confiar..

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