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Havia uma velhinha que andava aborrecida pois dava a sua vida para falar com alguém
E estava sempre em casa a boa velhinha resmungando sozinha nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem
O gato que dormia no canto da cozinha escutando a velhinha principiou também
A miar nessa língua e se ela resmungava o gatinho acompanhava: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem
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Depois veio o cachorro da casa da vizinha pato, cabra, galinha de cá, de lá, de além
E todos aprenderam a falar noite e dia naquela melodia nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem
De modo que a velhinha que muito padecia por não ter companha nem falar com ninguém
Ficou toda contente pois mal abria a boca tudo lhe respondia: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem
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Características do genero lirico do poema lingua do nhem
O que é um objeto de arte? É algo que nos toca, aguça os sentidos e nos impele a descobrir mais. Quando a língua perde a forma “nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem”, podem os cães e gatos dela compartilhar com o pato, a cabra, a galinha e a velhinha, que fora triste, mas não é mais.
Quando a musicalidade dos versos, suas rimas, repetições de vocábulos deixam de ter elementos pedagógicos como força principal, resta o lúdico, o belo e o prazeroso. Descobrindo modo de romper as barreiras da interlocução infantil em que sonhos viram realidade possíveis e a realidade se confunde com os sonhos. Então, a velhinha fica feliz por não se sentir mais sozinha quando descobre que tudo lhe responde: “nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem”. Fica feliz também a criança que descobre prazer em ouvir, ler e reescrever em uma linguagem que encanta. Acerta o autor em não se desviar do compromisso com o receptor e, nesse caso, não abrir mão de um belo, sonoro e feliz: “nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem”.
O texto precisa do conhecimento do mundo do seu leitor. Uma dificuldade na Literatura Infanto Juvenil é romper a barreira entre o escritor — que é um adulto — e seu público, principalmente em tenra idade. É então preponderante que o professor, como mediador, aproveite o texto de forma a ressaltar suas peculiaridades. Ter o livro/texto como objeto sobretudo de prazer é um modo de ressaltar o belo e o interativo. É questionar e explorar possibilidades: é ler, ouvir (às vezes cantar), recontar, reler, mostrar outras camadas, e deixar que sejam descobertas outras tantas.
Como atividade para este texto poderíamos escolher os parceiros de leitura, que no início farão as vozes “reais” dos animais, o gato, miando, o cachorro latindo, a cabra balindo (…) e depois mudando aos poucos: miau-nhem, au-au-nhem, méé-nhem, até que no final virem todos em uníssona algazarra um grande e bem alto: “nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem”.
Olá Dauro! Seu comentário foi muito enriquecedor. Muito obrigada! Apareça mais vezes. Abraços!
Adoramos o Nhem, nhem nhem