A verdadeira riqueza



A verdadeira riqueza

Não tenho conto de vintém
Para dividir com ninguém
Tenho viola e boa vontade
Pra cantar a igualdade

Tenho histórias e saudade
E uma grande pretensão
Ver meu povo mais unido
Do que num pequeno refrão

Sou viajador e conhecedor
Desse povo sofredor
Que vive assim devagarinho
Com as pedras do caminho

Rodava o mundo afora
Cantando a qualquer esmola
“Paz aos homens de bem”
E duvidava de quem a tem

Seguia assim desenxabido
Com sorriso amargurado
Me deparei com moça coxa
E um negro humilhado

O que te aflige meu rapaz?
Ele me perguntou intrigado
Me deixou triste e calado
Em meu mundo desalmado

Respondi meio sem jeito
Olhando o rapaz indagador
Parecia honesto, de respeito
E me tinha algo acolhedor

Não tenho conto de vintém
Para dividir com ninguém
Tenho trabalho e tenho medo
Que aprendi desde cedo

A moça respondeu atrevida
Me disse rima bem bonita
Já eu que não sou nada
Não me vejo indignada

Tenho fé e boa esperança
Pra dividir igual criança
Eu que não tenho também
Nenhum conto de vintém

Dou o esforço do meu braço
E minha paga vem do abraço
Quero ver riqueza maior
De quem dá o seu melhor

Sorriso largo, olho estreito
Não vi ali nenhum defeito
Sua beleza vem da alma
Serenata que me acalma

Eu que não tenho também
Nenhum conto de vintém
Agora sou rapaz esperançoso
De um mundo mais formoso

O negro, a moça e o mendigo
Hoje são melhores amigos
Cultivamos pra vida inteira
Uma riqueza verdadeira

Por Débora Araújo, Escritora e Idealizadora do Projeto Abelha

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Este poema fala, entre outras coisas, de igualdade. Por isso, não deixe de conferir nosso post sobre este tema!

 

O fator que promove a exclusão não advém da diferença em si, esta ocorre pela falta de preparo dos demais em conviver com alguém que diverge dos padrões e normas pré-estabelecidos, principalmente, na família e instituições de ensino.

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